Querido(a) leitor(a),
Mais uma vez chegamos a 1º de agosto — o dia que escolhi, há muito tempo, para comemorar o "aniversário" de Herannon. A data é simbólica: não existe registro exato do dia em que, lá em 1999, decidi criar um mundo próprio para nossas campanhas de RPG. Mas 1º de agosto acabou virando, com o tempo, a data oficial.
São 27 anos, então. Assusta um pouco pensar nisso.
O que mudou desde o ano passado?
2026 não foi exatamente um ano de criar coisas novas em Herannon — foi um ano de revisitar o que já existe e fazer melhor.
O site de As Crônicas de Herannon foi renovado, com uma apresentação mais próxima daquela que sempre quis para a série e para o Vasto Mundo.
Retomei um projeto antigo: as versões em inglês de O Aprendiz do Arquimago e O Filho Perdido. As traduções já existiam parcialmente, mas resolvi submetê-las a uma revisão bem mais criteriosa antes de pensar em publicação — traduzir uma história é simples, preservar a voz dos personagens, o humor e o ritmo do original é outra história.
Mergulhei fundo no Ketilon, a língua dos elfos de Herannon. O que por anos ficou espalhado entre anotações e ideias soltas virou uma estrutura linguística bem mais consistente, sem perder o que eu já imaginava para o idioma desde o início.
Ou seja: escrevi menos páginas novas do que gostaria, mas Herannon não ficou parado.
Um mundo que continua existindo
Herannon nasceu como cenário de campanhas de Advanced Dungeons & Dragons, entre amigos adolescentes, e atravessou quase três décadas comigo. O RPG acabou. Muita gente veio e foi embora. Eu mudei de cidade, de profissão, de rotina — e provavelmente de opinião sobre boa parte das coisas.
Herannon continuou.
Hoje esse mundo existe também na imaginação de gente que nunca jogou aquelas campanhas, nunca conheceu os jogadores que inspiraram alguns personagens, e talvez nem imagine que boa parte dele nasceu rabiscada em folhas de papel há quase trinta anos. Ainda acho isso extraordinário.
Por que as histórias não fluem?
Com o advento das IAs, poderia simplesmente designar ao ChatGPT a função de criar as histórias por mim. Mas jamais faria isso. Minhas histórias foram escritas de forma orgânica e continuarão sendo, mesmo que demorem. E o grande problema continua sendo o tempo: recurso escasso e difícil de administrar. No momento, além de trabalhar como médico, tenho muitos projetos pessoais para gerenciar, com a expectativa de algum dia poder me dedicar à escrita com a calma e dedicação necessárias.
Obrigado por continuar por aqui
A quem leu O Aprendiz do Arquimago e O Filho Perdido, recomendou os livros, deixou avaliações, conversou comigo sobre personagens ou simplesmente decidiu passar algumas horas caminhando pelo Vasto Mundo: obrigado.
Ainda há muito de Herannon que vocês não conhecem. Parte já está escrita. Parte ainda precisa ser. Mas está tudo lá, esperando.
Um brinde a mais um ano de Herannon — feliz aniversário!

